Há bem poucos dias o brasileiro saiu às ruas
incialmente para protestar contra o aumento do transporte coletivo, mas, a
reboque deste pretexto houve um protesto generalizado. Protestou-se contra
tudo: saúde, que, diga-se de passagem, não está nem na UIT e sim morta;
segurança, que nos encoraja a sermos mais amigos de bandidos do que confiar na
polícia; ensino, um dos piores do mundo; roubo no poder público, que leva o
bonito nome de peculato; superfaturamento de obras com a garantia de que “não
dá nada”, pois quem participa, além dos empresários ladrões são justamente
pessoas que estão no poder.
Fazendo uma análise cheguei a uma conclusão:
o brasileiro não tem noção e nem sabe o que é cidadania. Nos dias em que os
protestos foram mais acalorados, entrei em um ônibus e vi uma mocinha enrolada
em uma bandeira do Brasil, estava ela sentada em um lugar que é prioritário
para idoso, gestantes, obesos, portadores de necessidades e especiais etc.
Aliás, havia no ônibus um aviso bem claro que tal lugar é preferencial. Chamei
a atenção da mocinha, que além da bandeira, carregava uma pastinha que dizia:
“DIREITO”, disse a ela que deveria ceder o lugar, havia uma senhora idosa e com
uma sacola enorme, que estava no ônibus, resultado: ouvi tudo o que quis e o
que não quis, inclusive disse que era um direito dela, pois estava pagando. Com
muita relutância e discussão ela cedeu o lugar.
Pergunto eu?
De que adianta protestar, se uma acadêmica
de direito (supostamente), que deveria saber que há uma lei que obriga o
transporte coletivo ter lugares preferencias, e ela não cumpre o que determina
a lei. Isto tem um nome para mim: falta de educação e acima de tudo de
cidadania.
Pergunto eu?
De que adianta todas as exigências
determinadas pelo mesmo Código Brasileiro de Transito, para o motorista poder
habilitar-se como profissional, se ele não cumpre e joga no lixo tudo que
aprendeu na auto escola? Aliás, hoje auto escola tem o bonito nome de Centro de
Formação de Condutores.
Novamente bato na mesma tecla. Falta de
educação e cidadania, e mais, é até perigoso chamar a atenção desta gente, pois
são capazes de agredir.
Pergunto eu?
Posso chamar este individuo de cidadão?
Infelizmente este é o retrato do brasileiro.
Não adianta fazer passeata, não adianta apontar os erros dos governantes, não
adianta querer andar enrolado em uma bandeira, não adianta querer apontar os
outros se não olharmos para nós mesmos e começarmos a mudar.
Certa vez, em uma conversa com meu falecido
pai (vivo estaria com 105 anos) lhe disse: “Pai se a tua geração tivesse virado
a mesa sessenta anos atrás, eu hoje estaria vivendo em um país diferente”. Mas,
a geração dele não virou a mesa e continuou tudo a lesma lerda de sempre.
Vamos virar a mesa, com dignidade, respeitando as leis e as pessoas, e nos fazendo respeitar, só assim poderemos nos considerar um cidadão.
Vamos virar a mesa, com dignidade, respeitando as leis e as pessoas, e nos fazendo respeitar, só assim poderemos nos considerar um cidadão.




